quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sistema de Saúde

Visando a Alta Qualidade e a Preservação da Saúde e dos Serviços Médicos

Ambulância
Uma ambulância


Introdução
A assistência médica sistematizada no Japão se iniciou com a introdução da medicina chinesa no século VI. Essa tradição médica gerou muitos especialistas notáveis até o período da restauração Meiji em 1868. Naquele tempo a medicina ocidental era promovida como uma política nacional, o que levou ao desenvolvimento do sistema médico moderno japonês. O rápido crescimento econômico do pós-guerra possibilitou uma notória melhoria do padrão de vida e, ao mesmo tempo, promoveu o progresso em todos os aspectos do sistema público de saúde.

Hoje o sistema de saúde no Japão está entre os mais avançados no mundo em vários aspectos, como observados na elevada expectativa de vida e na taxa de mortalidade de recém-nascidos e de crianças. Ao mesmo tempo, o sistema está enfrentando vários desafios, incluindo o pequeno número de profissionais da medicina (médicos, enfermeiros, etc.) por leito e a longa espera em média por atendimento. No século XXI, o sistema de saúde deverá lidar com as mudanças na estrutura das doenças, mudanças que incluem a ocorrência crescente das desordens psiquiátricas como a depressão, o surgimento de novas doenças infecciosas como a SARS e, sobretudo, o grande número de casos geriátricos em decorrência da elevação da idade média da população.
Serviços Médicos
Vários fatores, como o desenvolvimento do ambiente social, os avanços na tecnologia médica e a elevação da qualidade das instalações médicas durante os últimos 40-50 anos, são responsáveis por mudanças drásticas na natureza das enfermidades da população. A tuberculose, que era a maior responsável pelas mortes no ano 1950, com taxa de mortalidade de 146.2 para cada grupo de 100.000 pessoas, agora possui taxa de menos de duas mortes para cada grupo de 100.000 pessoas.

Doenças cerebrovasculares (derrames), que eram as maiores responsáveis pelas mortes entre os anos 1960-1970, tiveram suas taxas reduzidas a partir da segunda metade dos anos 1970. Desde 1980, a doença responsável pela maioria das mortes tem sido o câncer, e aparentemente o número de ocorrências tem aumentado a cada ano. Pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar em 2009, revelam que o câncer foi a causa de 30.1% de todas as mortes, seguido por doenças do coração com 15.8%, doenças cerebrovasculares com 10.7%, e pneumonia com 9.8%. As despesas com saúde no país chegaram a 35.3 trilhões de ienes no ano fiscal de 2009, ou 276 mil ienes per capita, o que representou o equivalente a 10.5% de toda a renda nacional.

Os pilares dos serviços médicos no Japão, conhecido como “sistema público e universal de saúde”, estão no fato de que todos os cidadãos japoneses estão inscritos no sistema e, ainda, todos têm direito ao “sistema de acesso livre”, que permite aos pacientes escolher os locais de atendimento de sua preferência. O sistema que provê assistência médica foi elaborado com essas duas chaves para que todos, independentemente de onde vivam, possam ter assegurado o direito de receber os serviços médicos. Esforços têm sido feitos para introduzir, de maneira experimental, novos serviços médicos para aqueles que vivem em locais remotos, como em regiões montanhosas, para que todos possam receber serviços médicos via internet ou por meio de outras tecnologias de comunicação.
O Sistema do Seguro de Saúde Japonês
Uma emenda sobre Lei de Seguro de Saúde que passou a valer em 1961 garante a todos os cidadãos japoneses e estrangeiros residentes o direito de cobertura de um dos seis planos de seguro de saúde. O principal deles é o seguro de saúde para os empregados, que cobre a maior parte dos trabalhadores do setor privado, e o Seguro Nacional de Saúde, que cobre os trabalhadores autônomos, os desempregados, aposentados, além de pessoas inelegíveis para o seguro de saúde dos empregados. Outros planos asseguram marinheiros, empregados do serviço público nacional, empregados do serviço público local e funcionários e professores de escolas privadas. Dentro dos planos de seguro de saúde do Japão, 20% das despesas médicas são destinadas aos recém-nascidos e crianças menores; 30% vãos para crianças maiores até idosos de 69 anos; 20% para a faixa entre 70-74 anos (entretanto, esse porcentual tem sido reduzido sucessivamente a 10% até o ano de 2010). O grupo de pessoas com mais de 75 anos está inscrito em um sistema separado do sistema de saúde geral, e se chama Sistema de Saúde Vida Longa. O portador do seguro então paga pelo médico, hospital, clínica, ou outros mecanismos de saúde um residual pelo serviço utilizado conforme previsto pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar.

Esse sistema de seguro de saúde possibilita a todos os cidadãos o acesso a um tratamento médico adequado e, conseguintemente, contribui grandemente para a tranquilidade mental e para a saúde da sociedade em geral.

Serviços de Saúde e Médico para os Idosos
A porcentagem da população japonesa com mais de 65 anos era maior que 7% em 1970. Apenas 24 anos depois, em 1994, já era mais de 14%. Em outubro de 2009, o Japão tinha 27.01 milhões de idosos. Hoje, uma em cada cinco pessoas tem 65 anos ou mais e, em 2050, a proporção será de um em cada três. Em 2007, as despesas médicas com esse grupo totalizavam 17.7 trilhões de ienes, ou 52% do total e, per capita, o gasto era de 646.100 ienes, em comparação com os 163.400 ienes gastos com o grupo com menos de 65 anos.

Com os avanços da tecnologia no tratamento médico, os melhores tratamentos de saúde estão acessíveis e, ao mesmo tempo, isso pode prolongar o período da assistência. Além disso, com a tendência crescente em direção da família nuclear e com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, o cuidado com os idosos nos lares tem se tornado menos frequente. Concomitantemente, existe escassez de instituições que cuidem de idosos. Essa realidade contribui para que os idosos, que requerem muitas vezes mais acompanhamento do que cuidados médicos, quando são hospitalizados por longos períodos ao invés de serem cuidados em asilos, acabam por contribuir para o aumento dos gastos médicos.
Cuidado Geriátrico
Cuidado geriátrico


Na tentativa de se melhorar a qualidade da assistência ao idoso, promover o financiamento adicional, e eliminar as eficiências que resultaram da mistura de tratamento médico e as funções de cuidados de longa duração, o governo implementou um sistema de seguro de saúde de longa duração no ano 2000. Esse sistema arrecada uma contribuição obrigatória para o seguro de uma ampla faixa da sociedade (todas as pessoas com 40 anos ou mais) e provê serviços como visita em domicilio, visita a centros de saúde, e longa estadia em asilos para pacientes idosos que sofram de demência ou que estejam acamados por motivos de saúde. Em cada caso, individualmente, é realizada uma averiguação da necessidade desses serviços pelas autoridades encarregadas nas respectivas regiões. As contribuições para o seguro feitas por pessoas com mais de 65 anos (“pessoas asseguradas do tipo 1”) são coletadas pelas administrações locais por meio da dedução das pensões, enquanto as contribuições do grupo tipo 2, pessoas com idades entre 40 e 64, são coletadas juntamente com as contribuições do seguro de saúde de maneira fixa. Os beneficiários do sistema devem ter no míninimo 40 anos e devem pagar, além das contribuições regulares, 10% pelos custos dos serviços. O sistema de seguro de saúde no Japão é financiado pelo: governo nacional (25%); províncias e governos locais (12,5% cada); e pelos contribuintes do seguro (50%).

Centro Nacional do Câncer
Prédio principal do Centro Nacional do Câncer
Uma revisão da Lei de Seguro de Saúde de Longa Duração, em 2005, acrescentou uma ênfase na prevenção desejada ao ajudar aqueles com problemas moderados a manter e melhorar suas condições e, dessa maneira, evitar o comprometimento da saúde até o ponto em que o tratamento não seja necessário. Esse tratamento preventivo é apoiado por centros comunitários locais.
Reformas no Seguro Médico e de Saúde
O sistema de seguro médico japonês está em um momento de transição. Com a finalidade de criar um sistema de seguro médico e de saúde que seja sustentável em longo prazo, o governo continua a estudar a implementação mais abrangente das medidas de reforma. Em 2009, as despesas médicas com os idosos representavam um terço do total, em uma época onde os gastos com seguro de saúde estão em franco crescimento. Os gastos com pessoas com 75 anos ou mais, em média, são cinco vezes mais elevados do que com os adultos com menos de 65 anos. Frente a essa situação, o governo introduziu o Sistema de Seguro de Saúde para os mais idosos em 2008, quando um novo esquema elaborado especificamente para o seguimento dos mais idosos passou a contemplar a administração de seus cuidados médicos. Uma série de revisões foi feita posteriormente nesse sistema, incluindo uma mudança do nome para Sistema de Seguro de Saúde Longa Vida, em resposta a oposição dos idosos a designação de “mais idosos”.

Embora o recente foco na reforma do sistema médico tenha sido as questões de base, não se deve esquecer que todos os esforços para a reforma são, também, feitos com a finalidade de melhorar a qualidade do sistema de saúde em geral.

Velocidade e Eficiência por Meio do Avanço Tecnológico

Trem-Bala
O shinkansen (Trem-Bala)

Ferrovias
O serviço de transporte de passageiros começou em 1872 com a locomotiva a vapor que ligava a estação de Shimbashi, em Tóquio, à cidade de Yokohama, próxima da capital, criando a estrutura básica daquele que seria o sistema ferroviário nacional. Mais de 17 anos foram necessários para a ligação ferroviária entre as principais cidades localizadas ao longo do antigo Tokaido (Rota Marítima Leste), e em julho de 1889 já era possível viajar de trem desde Tóquio até Osaka. Com apenas uma viagem por dia, a rota de 515 km levava 20 horas. A sucessiva introdução de trens a diesel e a eletricidade diminuiu o tempo dessa rota de grande demanda para 7 horas, e o Shinkansen (trem bala) reduziu, por fim, o tempo de viagem para menos de 3 horas.

Até sua privatização e divisão em diferentes companhias regionais em 1987, as Ferrovias Nacionais Japonesas – JNR (Japanese National Railways) operavam a rede ferroviária nacional de cargas e passageiros. Os sucessores atuais da JNR incluem seis empresas de transporte de passageiros do grupo JR (Japanese Railways, ou Ferrorias Japonesas), uma companhia de transporte de cargas e diversas outras empresas afiliadas.

O sistema ferroviário total, incluindo o Grupo JR e as outras empresas do setor, engloba aproximadamente 27 mil quilômetros operacionais, sendo que 70% do total é operado pelo Grupo JR. Em 2008, o sistema transportou 22,98 bilhões de passageiros e 46,23 milhões de toneladas métricas de carga.

As quatro principais ilhas do Japão foram, por fim, ligadas pelas ferrovias em 1988, quando o túnel submarino Seikan chegou a Honshu, ao norte da ilha de Hokkaido, e a ponte Seto Ohashi chegou a Honshu, na ilha de Shikoku.

Juntamente com o desenvolvimento dos transportes aéreo e rodoviário, os serviços ferroviários mais importantes voltaram-se gradualmente para o transporte de longa distância entre cidades, como o Shinkansen e as linhas suburbanas. As linhas suburbanas levam e trazem as pessoas de suas casas nos subúrbios até seu trabalho ou escola. Devido aos altos preços de terras, muitas pessoas se mudaram para os subúrbios em busca de moradia a preços razoáveis. Atualmente, mais de 70% dos funcionários de escritórios utilizam esses trens, que frequentemente sofrem de superlotação, embora o nível de congestionamento nas horas de pico das principais linhas da região de Tóquio tenha caído para 180% da capacidade normal desde o ápice da superlotação em 1965.

Nove cidades do Japão possuem atualmente sistemas metroviários. O primeiro a ser construído, uma parte da linha Ginza de Tóquio, entrou em funcionamento em 1927. Existem 13 linhas de metrô em Tóquio, e elas levam diariamente mais de 7 milhões de passageiros. Muitas das linhas metroviárias também têm ligações com as linhas de transporte suburbano, com serviços que se estendem até as áreas mais afastadas.

O Japão continua a reconhecer as muitas vantagens do transporte ferroviário, incluindo sua conveniência, eficiência energética, baixa poluição e segurança. Nas grandes regiões metropolitanas, as ferrovias representam um papel muito importante nos transportes e possuem um grande número de usuários. Consequentemente, o Grupo JR e as empresas privadas do setor continuam construindo novas linhas e ampliando a capacidade do sistema, adicionando novos trilhos às linhas já existentes. A expansão do sistema ferroviário também está sendo promovida por meio da diversificação do sistema, com a adição de monotrilhos e outros tipos de tecnologia ferroviária. As empresas ferroviárias estão fazendo um grande esforço para ampliar a conveniência das viagens e melhorar o acesso às estações para idosos e portadores de necessidades especiais, por meio da instalação de elevadores e escadas rolantes.
Cruzamento da Osaka Leste
O cruzamento de Osaka leste
(Foto: Cortesia de AFLO)

O Shinkansen
O Shinkansen (trem-bala) é um sistema ferroviário de alta velocidade que consiste de seis linhas regulares: Tokaido Shinkansen, Sanyo Shinkansen, Tohoku Shinkansen, Joetsu Shinkansen, Hokuriku Shinkansen (que atualmente vai até Nagano) e Kyushu Shinkansen, nas quais os trens viajam apenas em trilhos especiais de Shinkansen; além de outras duas linhas comumente chamadas de “mini-Shinkansen”, nas quais os trens viajam tanto em trilhos especiais de Shinkansen como em trilhos padrão locais: o Akita Shinkansen e o Yamagata Shinkansen. Essa rede extensiva de trens de alta velocidade que excedem 270 km/h conecta as principais cidades do Japão, chegando até Aomori, no ponto mais ao norte da ilha de Honshu, e descendo até Kagoshima, no ponto mais ao sul de Kyushu. A adição de diversas outras linhas de Shinkansen foi planejada desde 1973, e a construção continua em alguns trechos dessas linhas.

O Tokaido Shinkansen opera em um corredor de 500 km entre Tóquio e Osaka, e por muito tempo tem sido considerado a principal artéria do Japão. Essa linha viaja a uma velocidade máxima de 270 km/h e o tempo de viagem mínimo entre Tóquio e Osaka é, atualmente, de 2h25min. Desde sua inauguração em 1964, o Shinkansen alcançou um recorde considerável de operação em alta velocidade, segurança, volume de transporte e pontualidade. Cerca de 14 trens viajam por hora em cada direção dentro de uma linha única, e a média de atrasos dos trens está entre 0,6 e 1,0 minutos. Além disso, nenhum acidente fatal jamais ocorreu em decorrência de colisões ou descarrilhamentos na linha Shinkansen desde o início de suas operações, sendo um recorde impressionante no quesito de segurança.

Um novo tipo de Shinkansen está sendo desenvolvido com base na tecnologia de motores lineares. Esse trem levita sobre seu trilho utilizando energia magnética e é capaz de alcançar uma velocidade máxima de mais de 550 km/h. Se forem completados neste século XXI, esses trens “mag-lev” deverão fazer a viagem entre Tóquio e Osaka em aproximadamente 1 hora, praticamente o mesmo tempo necessário para a viagem de avião a jato.
Aeroporto Internacional e KansaiAeroporto Internacional de Kansai


Veículos Motorizados
De acordo com dados de abril de 2008, o Japão tinha 1.263.306,4 km de estradas. O Japão importou seu primeiro automóvel em 1899. A produção de veículos motorizados por fabricantes japoneses começou logo depois, em 1902. Embora veículos comerciais e de transporte público tenham tomado as ruas das cidades japonesas logo após sua introdução, foi a partir da década de 1960 que o número de veículos particulares começou a crescer rapidamente. Três fatores possibilitaram isso: o rápido crescimento da renda trazido pelo desenvolvimento econômico, a emergência de uma indústria automotiva doméstica movida de acordo com as necessidades específicas do mercado local (veículos de pequeno porte e alta eficiência energética), e a melhoria das estradas. Entre 1960 e 2000, o número de veículos motorizados registrados subiu de 1,9 milhões para mais de 52 milhões. Famílias com dois carros passaram a se tornar comuns, e o número de caminhões utilizados pelos serviços de entrega e transporte comercial continuaram a aumentar.

A construção de vias expressas (estradas com cobrança de pedágio) começou nos anos 60. A primeira a ser finalizada foi a via expressa de Meishin, ligando Nagoya a Kobe, em 1965. Não demorou muito para que Tóquio também fosse conectada através da via expressa de Tomei. A Kan'etsu, Tohoku, Joban e outras vias expressas de longa distância foram sendo inauguradas com os passar das décadas. Tóquio e outras das principais áreas urbanas mantém uma rede abrangente e cada vez maior de vias expressas ligando as áreas centrais das cidades aos subúrbios.

A construção de vias expressas no Japão enfrentou muitos desafios: o tipo de terreno, a alta concentração de fábricas e casas, o alto preço das terras ao longo das rotas de transporte, e o reforço adicional necessário para resistir a terremotos. Os custos de construção são os maiores do mundo e, por esse motivo, os pedágios das vias expressas são proporcionalmente altos. Apesar disso, as vias expressas permanecem sendo usadas extensivamente. Durante o ano fiscal de 2009, a média de fluxo de tráfego diário entre Tóquio e Komaki (próximo a Nagoya, no Distrito de Aichi) foi de 420 mil automóveis.

Os engarrafamentos frequentes nas áreas metropolitanas são um problema grande. Em Tóquio, um sistema extensivo de estradas e vias expressas parte do centro da cidade para múltiplas direções, mas os atrasos na construção de linhas circulares contribuíram para engarrafamentos crônicos.

A segurança no trânsito tem sido um problema nacional desde os anos 60. Em 1970, ano de entrada em vigor da Lei de Segurança no Trânsito, mais de 16 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito. Em 2009, porém, o número havia caído para 4.914, menos de um terço do total de 1970.

A poluição do ar causada por emissões de veículos motorizados, incluindo tanto gases de exaustão (óxido de nitrogênio, etc.) como partículas emitidas por motores a diesel, é um problema grave nas grandes zonas metropolitanas. Consequentemente, o governo instaurou mecanismos rígidos de controle legal das emissões veiculares e da quantidade de enxofre nos combustíveis.
Transporte Aéreo
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1951, o governo japonês foi privado de sua autoridade para conceder licenças a empresas aéreas de transporte de passageiros pelo SCAP (Comandante Supremo das Forças Aliadas). Portanto, as empresas aéreas domésticas e internacionais só entraram em operação a partir de 1953.

Atualmente, existem cerca de 100 aeroportos por todo o país, dos quais o Aeroporto Internacional de Tóquio, também conhecido como Aeroporto de Haneda, tem o maior fluxo de passageiros do Japão. O Aeroporto de Haneda foi inaugurado em 1931 como o primeiro aeroporto comercial do país. O Aeroporto abrigava tanto voos domésticos como internacionais até que, em 1978, o Novo Aeroporto Internacional de Tóquio foi inaugurado em Narita. Desde aquela época, o Aeroporto de Haneda era utilizado principalmente para voos domésticos; mas, em 2010, depois da inauguração de sua quarta pista, o Aeroporto passou a oferecer também diversos voos para destinos no exterior, incluindo não só cidades asiáticas como Seul, Shanghai e Hong Kong, mas também para algumas das principais cidades da Europa e Estados Unidos, como Los Angeles, Nova York e Paris.

O Novo Aeroporto Internacional de Tóquio, também conhecido como Aeroporto de Narita, está localizado a 66 km ao leste de Tóquio. Desde sua abertura em 1978, o Aeroporto de Narita tem sido o ponto de embarque de muitos passageiros que viajam ao exterior. O número de voos operados pelo aeroporto deve aumentar depois da ampliação das pistas de 2010. A conveniência do Aeroporto é melhor que nunca agora que a nova linha de trem Sky Access Train liga Narita ao centro de Tóquio em apenas 36 minutos.

O Aeroporto Internacional de Osaka também é chamado Aeroporto de Itami, e operava a maioria dos voos domésticos e todos os voos internacionais para a região de Kansai até a abertura do Aeroporto Internacional de Kansai, em setembro de 1994. Atualmente, Itami é usado principalmente para voos domésticos.

O Aeroporto Internacional de Kansai está localizado em uma ilha artificial na Baía de Osaka. Além de fornecer acesso e serviço estendido a uma grande quantidade de transportadoras internacionais, esse é o primeiro aeroporto 24 horas do Japão. O número de chegadas e partidas chegou a um total de 108.672 em 2009. O aeroporto está equipado com tecnologia de última geração, incluindo um sistema que desliga automaticamente o ar condicionado quando não há mais passageiros no edifício, e um “sistema jack-up”, que mede a estabilidade do edifício e faz ajustes de altura para evitar desníveis.

O Aeroporto Internacional Centrair Chubu foi inaugurado em fevereiro de 2005. Localizado numa ilha artificial na Baía de Ise, esse é o principal aeroporto que serve a cidade de Nagoya. O aeroporto foi desenhado para ser acessível a todos, independente de idade ou necessidades especiais, incorporando elementos universais de design tais como uma estrutura que permite aos passageiros irem de trem da plataforma até o lobby de embarques e desembarques sem precisar subir ou descer de andar.
Transporte Marítimo
Para estimular a competitividade entre os portos do Japão, seis portos (Tóquio, Yokohama, Nagoya, Yokkaichi, Osaka e Kobe) foram designados “super-hubs portuários” em 2004. Esforços estão sendo feitos para melhorar a qualidade dos serviços e cortar custos, equipando os portos com terminais de carga e sistemas inovadores de logística.

Os portos do Japão também estão focando em medidas ambientais e 21 portos do país foram nomeados “portos de reciclagem” com o objetivo de transportar de forma eficiente os recursos recicláveis por meio de navios graneleiros, que têm baixo impacto no meio ambiente. Os portos designados possibilitaram, de forma integrada, receber os materiais reciclados, processá-los e eliminar os resíduos.

Nove portos do Japão, como os de Kagoshima e Beppu, foram equipados com terminais de passageiros para atrair um maior número de linhas de cruzeiros internacionais.

Base para o Crescimento e a Prosperidade

Câmpus de Komaba, Universidade de Tóquio
Câmpus de Komaba, Universidade de Tóquio
O sistema educacional japonês teve um papel central para possibilitar que o país superasse os desafios apresentados pela necessidade de absorver rapidamente as ideias, a ciência e a tecnologia ocidental no período Meiji (1868-1912), além de ter sido um fator-chave para a recuperação e o rápido crescimento econômico do Japão nas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Nos primeiros anos do século XXI, contudo, a sociedade japonesa tem enfrentado diversos desafios em decorrência das mudanças nas normas culturais, dos avanços na ciência e tecnologia, da globalização econômica e de um ambiente de negócios conturbado. Formar jovens que possam superar esses desafios é uma tarefa crítica para a educação japonesa. A direção a ser tomada nessa empreitada também é algo crucial para o sistema educacional do Japão. O futuro do setor é assunto de muitas discussões dentro do governo, na comunidade educacional e na sociedade japonesa como um todo.
Histórico
O ensino da leitura e escrita existiu de alguma forma desde a introdução da escrita chinesa e do budismo no século VI. Em 701, o Código Taiho estabeleceu escolas para os filhos da nobreza, tanto na capital como nas províncias. Com o início do período Kamakura (por volta de 1185-1333), um número cada vez maior de filhos de samurais recebeu educação formal, mas foi só no período de 265 anos de paz do Período Edo (1603-1868) que a educação se tornou generalizada tanto entre a elite como entre os comuns.

A educação no período Edo foi principalmente baseada em conceitos confucianos que enfatizavam a memorização e o estudo de clássicos chineses. Dois principais tipos de escolas se desenvolveram. O primeiro tipo eram as escolas hanko, que totalizavam 270 estabelecimentos até o final desse período e forneciam educação principalmente para as crianças da classe samurai. O segundo tipo eram as escolas terakoya, que matriculavam tanto os filhos dos comuns como dos samurais e concentravam-se no ensinamento de valores morais, escrita, leitura e aritmética. As escolas terakoya normalmente tinham um único professor ou um casal, e haviam dezenas de milhares dessas escolas até o final do período Edo.

A taxa de alfabetismo do Japão na época do colapso do shogunato Tokugawa, em 1868, era maior do que esse índice na maioria dos países ocidentais da época. Sem essa base educacional, a rápida modernização alcançada nos anos seguintes não teria sido possível.

Os líderes Meiji se mobilizaram rapidamente para estabelecer um novo sistema educacional como uma das partes principais dos esforços para se aproximar do ocidente e promover a unidade nacional. Um sistema de três camadas foi estabelecido contendo educação básica, ensino médio e ensino universitário, sendo que a educação básica era obrigatória para todos os garotos e garotas.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Lei Fundamental da Educação e a Lei da Educação Escolar entraram em vigor em 1947 sob a direção das Forças da Ocupação. A Lei de Educação Escolar definiu o sistema que continua em vigência até os dias de hoje: seis anos de ensino primário, três anos de ensino fundamental, três anos de ensino médio e de dois a quatro anos de estudos universitários. Os ensinos primário e fundamental são obrigatórios para todos. Também existem jardins de infância (frequentados do 1º ao 3º ano de idade), colégios técnicos de cinco anos para egressos do ensino fundamental, escolas de treinamento especial para egressos dos ensino fundamental e médio, e escolas especiais para portadores de necessidades especiais. As universidades incluem cursos de graduação, tecnólogo e especialização.
Crianças do Ensino Primário
Crianças do ensino primário
(Foto: Cortesia de Getty Images)

Escolas e Currículo Escolar
Calendário escolar: Para a maioria das escolas de ensino primário, fundamental e médio, o ano escolar japonês começa em 1º de abril e é dividido em três partes: de abril a julho, de setembro a dezembro, e de janeiro a março. Algumas escolas seguem um calendário de duas partes. A transição gradual da semana escolar de seis dias para a semana escolar de cinco dias foi finalizada em 2002. Muitas escolas particulares, contudo, continuam a ter aulas aos sábados e, nos últimos anos, algumas escolas públicas de ensino médio também obtiveram permissão especial para reintroduzir as aulas aos sábados para que tivessem mais tempo para abordar os assuntos necessários.
Diretrizes dos cursos escolares: O Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia prepara diretrizes com as orientações básicas sobre cada matéria ensinada nas escolas japonesas e sobre os objetivos e conteúdo do ensino em cada série. Essas diretrizes são revisadas, em média, a cada dez anos, e são seguidas por todas as escolas do país.
Livros escolares: Todas as escolas de ensino primário, fundamental e médio são obrigadas a usar os livros escolares avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia. O objetivo desse sistema de autorização oficial, que existe desde 1886, é a padronização da educação e a manutenção da objetividade e neutralidade em questões políticas e religiosas. Um sistema de distribuição gratuita de livros escolares para a educação obrigatória foi estabelecido em 1963. Os livros escolares usados em cada distrito escolar público são selecionados pela diretoria de educação local dentre os candidatos aprovados pelo governo, tendo por base uma avaliação da diretoria de educação da prefeitura. Nas escolas privadas, o diretor da escola é responsável pela escolha.
Educação pré-escolar: A educação prévia ao ensino primário é fornecida nos jardins de infância (yochien) e creches (hoikuen). As creches públicas e privadas aceitam crianças de 1 a 5 anos de idade, e seus programas para as crianças de 3 a 5 anos são semelhantes ao programa dos jardins de infância.
Aproximadamente 60% de todos os jardins de infância são particulares. A frequência total de crianças de 5 anos nos jardins de infância e creches é de mais de 95%. A abordagem educacional nos jardins de infância varia consideravelmente, de ambientes sem estrutura definida com foco em brincadeiras e pouco ensino formal, até ambientes altamente estruturados com foco no treinamento mental.
Escolas primárias: A frequência nas escolas primárias é obrigatória a partir dos seis anos, e 99% das escolas primárias são instituições públicas coeducacionais. Um único professor é determinado para cada turma e é responsável por ensinar a maioria das matérias, as exceções geralmente ocorrem em matérias como música e artes. Em 2009, o tamanho máximo era de 40 alunos por turma, e o tamanho médio foi de 28,2 alunos por turma. Em princípio, as salas não fazem qualquer segregação baseada nas habilidades estudantis demonstradas, mas para aprender algumas matérias os alunos podem ser divididos em grupos que levem o nível de proficiência em consideração. O currículo escolar inclui as seguintes matérias: língua japonesa, estudos sociais, aritmética, ciência, estudos do ambiente biológico, música, arte e artesanato, educação física e serviços domésticos. As exigências curriculares também incluem atividades extraclasse, um curso de educação moral e estudos integrados, que cobrem uma grande variedade de assuntos (estudos internacionais, meio ambiente, atividades voluntárias, etc.). Ensinar a ler e escrever talvez sejam as partes mais importantes do currículo da escola primária: além dos dois sistemas silábicos japoneses, os estudantes também aprendem pelo menos 1.006 caracteres chineses até o final da sexta série.
Ensino fundamental: A frequência ao ensino fundamental é obrigatória por três anos. Mais de 90% das escolas de ensino fundamental são instituições públicas coeducacionais. Todos os anos os estudantes são designados para turmas de até 40 alunos (o tamanho médio de cada turma em 2009 era de 33,2 alunos), nas quais as crianças receberão as aulas. A maioria das aulas não têm nenhuma segregação baseada nas habilidades estudantis, mas algumas escolas implementaram sistemas de divisão de turmas em diferentes níveis para aulas de matemática e inglês. O currículo padrão inclui as seguintes matérias obrigatórias: língua japonesa, estudos sociais, matemática, ciências, uma língua estrangeira (quase sempre inglês), música, belas artes, saúde e educação física, e artes industriais ou serviços domésticos. As exigências curriculares também incluem atividades extraclasse, um curso de educação moral e estudos integrados.
Ensino médio: A frequência ao ensino médio é opcional. Em 2009, 97,9% de todos os estudantes de ensino fundamental entraram no ensino médio, e cerca de 74% dessas escolas são públicas. A entrada no ensino médio baseia-se em uma prova de desempenho e há uma competição intensa para entrar nas melhores escolas. Os estudantes que frequentam escolas com ensino fundamental e médio integrados não precisam passar pela pressão dos exames de admissão ao ensino médio, mas o número de escolas unificadas no sistema público escolar ainda é relativamente pequeno. O currículo básico do ensino médio inclui as seguintes matérias obrigatórias: língua japonesa, geografia e história, educação cívica, matemática, ciências, saúde e educação física, artes, língua estrangeira, economia doméstica e informação. Atividades extraclasse e estudos integrados também são exigidos. Os estudantes que participam de programas vocacionais especiais também fazem cursos em sua área de estudo (empresarial, arte industrial, agricultura, etc.) e cumprem menos horas de estudo nas matérias do currículo básico em comparação com alunos regulares.

Atualmente, quase todos os alunos do ensino fundamental entram no ensino médio independentemente de sua vontade ou disposição para aprender. Por isso, as escolas buscam reduzir a apatia estudantil e a evasão escolar. Como parte desses esforços, modelos novos e mais diversificados de educação de ensino médio estão sendo introduzidos para responder melhor às diferentes habilidades e interesses de alunos individuais. Exemplos desses novos modelos incluem escolas de ensino médio com sistemas de crédito, em que a formatura é baseada no número de créditos acumulados ao invés da finalização de um número específico de anos acadêmicos; e escolas de programa integrado, onde os estudantes têm maior flexibilidade de escolha de acordo com seus interesses e habilidades individuais.
Estudantes do Ensino Médio
Garotas do ensino médio estudando
(Foto: Cortesia de Getty Images)

Universidades: A porcentagem de egressos do ensino médio japonês que fazem faculdades de dois ou quatro anos ultrapassou 41% em 1993 e ficou em 53,9% em 2009. O índice para faculdades e universidades de quatro anos especificamente foi de cerca de 47%. A grande maioria de estudantes universitários são do sexo feminino, e 77% de todas as universidades e 93,1% de todas as faculdades são privadas. Em 2009, 12,2% dos formandos das universidades de quatro anos continuaram seus estudos na especialização.

Uma série extensiva de reformas foi implementada recentemente no sistema universitário japonês, incluindo mudanças particularmente drásticas no sistema universitário nacional. Em 2004, as 99 universidades nacionais foram reorganizadas em 87 instituições. Além disso, as universidades nacionais – que costumavam ser órgãos internos do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia – foram transformadas em instituições administrativamente independentes com o objetivo de criar um ambiente mais competitivo e independente, em que as universidades pudessem introduzir técnicas de administração do setor privado e desenvolver seu próprio potencial com relação a educação e pesquisa. Com o objetivo de formar pessoas com a amplitude de conhecimentos técnicos exigida pela sociedade, muitas universidades também estabeleceram novos programas universitários especializados em negócios e direito.

O número de estudantes estrangeiros em universidades japonesas continua a crescer, com um total de alunos nos colégios, universidades e faculdades chegando a 123.000 em maio de 2008. Aproximadamente 90% desses estudantes vêm da Ásia.
Escolas de reforço e cursos preparatórios: Embora não sejam parte do sistema educacional principal, escolas de reforço acadêmico (gakushujuku) e cursos preparatórios (yobiko) também desempenham um papel significativo na educação do Japão. Os cursos preparatórios são estritamente focados no preparo de estudantes para exames de admissão às universidades. As escolas de reforço acadêmico têm um objetivo mais geral, de ajudar os estudantes a acompanharem e excederem o ensino escolar regular, embora a preparação para provas também seja frequentemente enfatizada.

De acordo com estimativas oficiais do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia para o ano fiscal de 2008, 25,9% dos estudantes de escolas públicas de ensino primário e 53,5% dos estudantes de escolas públicas de ensino fundamental frequentam escolas de reforço.
O Desafio da Reforma
O sistema educacional japonês enfatiza a colaboração, disciplina em grupo e a obediência aos padrões estabelecidos. O sistema foi muito proveitoso para o país, produzindo uma força de trabalho industrial bem treinada que tornou o Japão uma potência econômica global no século XX. O sucesso do sistema reflete-se também no fato de a maioria dos japoneses se considerarem de classe média e reconhecerem que a educação é o caminho para a prosperidade de seus filhos.

Nos últimos anos, contudo, houve um debate considerável e propostas conflitantes sobre que direção o sistema educacional deveria tomar para reagir aos desafios do século XXI. Em 2002, um novo currículo foi introduzido, buscando mudar a ênfase do “uniforme e passivo” para o “independente e criativo”, e incluiu ações para reduzir as horas de estudo em sala de aula e para criar um ambiente de ensino mais relaxado e com menos pressão. Depois disso, contudo, comparações com outros países mostraram um declínio nas habilidades acadêmicas das crianças japonesas e isso gerou reivindicações para retomar o modelo básico anterior e aumentar as horas de estudo em sala de aula para matérias específicas.

Em 2006, o governo aprovou a primeira revisão da história da Lei Fundamental da Educação, de 1947. Essa revisão incluiu medidas que orientavam o sistema educacional a estimular uma postura altruísta, o respeito à tradução e cultura, e o patriotismo. As diretrizes curriculares também foram revisadas em 2008 para melhorar a educação básica através da promoção de habilidades e conhecimentos gerais e do aumento do número de horas de aula. As novas diretrizes curriculares serão introduzidas no ano escolar de 2012 para as escolas de ensino primário e no ano escolar de 2013 para as escolas de ensino fundamental.

Uma Mudança para o Comércio Horizontal

Automóveis Prontos para Exportação
Automóveis prontos para exportação
(Foto: Cortesia da Toyota Motor Corporation)

Introdução
A acelerada globalização econômica continua a ampliar e aprofundar as relações de comércio e investimentos do Japão com países da América do Norte, Ásia e Europa. A prosperidade econômica do Japão, impulsionada pelo comércio na segunda metade do século XX, foi possível graças ao progresso alcançado na conquista da liberalização do comércio multilateral, um progresso que pode ser, em grande parte, atribuído aos trabalhos do Acordo Geral de Comércio e Tarifas – GATT (General Agreement on Tariffs and Trade) e da Organização Mundial do Comércio – OMC. Desde o final dos anos 90, contudo, as negociações da OMC se estagnaram, parcialmente devido a diversificação das questões tratadas e aos múltiplos e frequentes conflitos de interesse entre um crescente número de membros da organização. Na ausência de acordos globais na OMC, a tendência nos anos recentes tem sido a de negociar Acordos de Livre Comércio (FTA) de aplicação mais limitada.
Comércio
Imediatamente depois da 2ª Guerra Mundial, a devastação do Japão causou um déficit contínuo no comércio exterior, além de uma falta crônica de capital estrangeiro. Em 1952, contudo, o Japão entrou para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, três anos depois, aderiu ao GATT. Entre o final dos anos 1950 e o final dos anos 1960, a introdução de tecnologias avançadas e a construção de uma infraestrutura industrial extensiva no país aumentou a capacidade de exportação do Japão. Durante esse período, o comércio japonês foi conduzido de acordo com o modelo vertical das usinas de processamento, importando matérias-primas e exportando produtos prontos. Em 1954, o Japão anunciou sua ratificação do artigo 8 do documento de constituição do FMI, que estipulava a eliminação de todas as restrições ao comércio exterior, aguçando ainda mais a modernização e o alto crescimento. A balança comercial japonesa começou a registrar superávit a partir da segunda metade dos anos 1960, apesar de as crises do petróleo em 1973 e 1979 terem causado déficits temporários na balança comercial. Nos anos 80, o comércio do Japão começou a se transformar rapidamente, tendendo a um modelo horizontal caracterizado tanto pela importação como pela exportação de produtos manufaturados.

Desde a década de 90, a parcela do comércio mundial representada pelas exportações e importações dos países do Leste da Ásia se expandiram expressivamente, e, com essa expansão, a dependência do Japão no comércio com o Leste da Ásia também aumentou, particularmente com a China.

Desde o início do século XXI, as importações e exportações têm avançado com tranquilidade devido ao superaquecimento da economia norte-americana e à vitalidade econômica da China. Contudo, com a crise econômica global surgida do colapso do Lehman na segunda metade de 2008, as exportações japonesas sofreram uma redução. Além disso, os custos do petróleo e de outros importados aumentaram, fazendo com que o Japão registrasse seu primeiro déficit comercial em 28 anos.

Exportações
A partir do final da década de 50, a composição das exportações japonesas passou a focar-se em produtos da indústria de grande porte, se afastando das indústrias têxtil e de pequeno porte. Nos anos 70, a importância das exportações de matérias-primas industriais, como produtos químicos e aço, entrou em declínio, e as exportações de maquinário e eletrônicos aumentaram conforme produtos de valor agregado ganhavam uma ênfase cada vez maior.

A partir dos anos 80 e até o início dos anos 90, houve um rápido aumento das exportações de produtos de tecnologia intensiva – como computadores, semicondutores, eletrônicos de uso comum, ferramentas industriais, máquinas de fax, automóveis e outros meios de transporte. O índice que mede o aumento das exportações começou a desacelerar de forma significativa em meados dos anos 90, parcialmente devido ao estabelecimento de indústrias manufatureiras de empresas japonesas no exterior. Os atritos comerciais levaram os fabricantes de automóveis e outras empresas a construírem fábricas nos Estados Unidos e na Europa, e, para manter a competitividade dos preços em vista da valorização do iene, muitas companhias transferiram para a China e outros países asiáticos a produção de produtos e componentes de menor complexidade técnica e que demandavam uma força de trabalho mais intensa. A presença industrial japonesa na China alavancou fortemente as exportações de bens de capital, componentes e peças para o país.
Importações
No período imediatamente depois da guerra, os principais itens de exportação eram fibras têxteis que eram processadas e transformadas em tecidos. Nos anos 60 e 70, depois da mudança para a indústria de grande porte, os itens de importação mais importantes eram combustíveis fósseis e minérios de metal. Como resultado das duas crises do petróleo que ocorreram na década de 70, os preços do petróleo bruto aumentaram vertiginosamente, e, em 1980, os combustíveis minerais representavam cerca de 50% do total de importações. Nos anos mais recentes, a importação de combustíveis minerais variou de 15% a 20% do total de importações, parcialmente devido às mudanças nos preços do petróleo bruto.

A proporção de produtos manufaturados no total de importações cresceu de 20%, na década de 1970, para 50% nos anos 80 e 60% desde os anos 90, uma parcela muito similar a das economias desenvolvidas do ocidente. Um fator importante no aumento das importações de bens manufaturados foi a expansão das exportações para o Japão de fábricas estabelecidas no exterior por companhias japonesas desde a década de 80, principalmente na China e no restante da Ásia.

O comércio com a China teve particular expansão desde o final dos anos 1990. As empresas japonesas aceleraram suas operações na China depois da expansão da demanda interna do país e de sua admissão à Organização Mundial do Comércio em 2001, e o comércio entre os dois países continua a aumentar.

Embora a importação de computadores e outros produtos de tecnologia da informação tenha crescido, as vendas de produtos eletrônicos de uso pessoal, como televisores, têm registrado no Japão um consumo maior de produtos importados que nacionais.
Uniqlo
A UNIQLO se expande internacionalmente
(foto da loja em Regent Street em Londres)

Atrito Comercial
Embora o Japão importe uma grande porcentagem de seu combustível, artigos de alimentação e matérias-primas utilizadas por suas indústrias, esses artigos costumam ser importados na forma de bens de valor agregado, que passaram a representar uma grande parcela do mercado em muitos países com que o Japão comercializa. Algumas vezes, isso resulta em atritos comerciais, que tem se tornado um problema recorrente desde a metade dos anos 1950.

Até o início dos anos 80, esses atritos envolviam principalmente esforços para controlar o aumento das exportações japonesas em resposta a acusações de “dumping” (venda de produtos no exterior a preços mais baratos que no país de origem). As queixas dos Estados Unidos levaram o Japão a estabelecer restrições voluntárias nas exportações para os Estados Unidos de artigos de algodão (1957), aço (1969), lã e fibras sintéticas (1972), televisores coloridos (1977) e automóveis (1981). O Japão também concordou em restringir as exportações de aço para a Europa em 1972.

Por outro lado, desde o início da década de 80, o foco mais frequente dos atritos comerciais, principalmente com os Estados Unidos, envolveu tentativas de aumentar as exportações para o Japão concedendo a empresas estrangeiras maior acesso ao mercado japonês e eliminando as chamadas “barreiras não tarifárias”. Objetivando a liberalização das importações, o governo japonês tomou medidas econômicas como o corte unilateral de tarifas, a remoção de restrições às importações, a reforma dos padrões do sistema de certificação e campanhas de promoção das importações. A liberalização de importados agrícolas, um assunto politicamente delicado, levou à eliminação ou redução das restrições à carne, frutas cítricas e muitos outros artigos de alimentação.

Insatisfeito com o ritmo das medidas de abertura de mercado, na primeira metade dos anos 90 os Estados Unidos exigiram uma parcela predeterminada do mercado japonês para artigos como semicondutores, automóveis e peças automobilísticas. Isso levou a desentendimentos sobre metas numéricas, que enfrentaram forte oposição do Japão. Desde a metade da década de 90, esforços para resolver os atritos comerciais passaram gradualmente para espaços internacionais como a OMC, onde muitos países estão envolvidos nas negociações. Questões bilaterais de economia e comércio entre o Japão e os Estados Unidos continuaram a ser abordadas por meio de dispositivos como a Iniciativa Japão-EUA de Reforma Regulatória e Políticas de Concorrência.

O déficit comercial dos Estados Unidos com o Japão chegou a um pico de 70,8% do total do déficit comercial dos Estados Unidos em 1981 e foi sofrendo reduções graduais desde 1992, caindo para 10,5% em 2007. Considerando fatores como a redução do déficit comercial dos EUA, o fortalecimento das relações de investimentos, e as melhorias no sistema de resolução de conflitos da OMC, os atritos da relação econômica Japão-EUA foram substituídos por uma relação harmônica de diálogo construtivo.
Investimentos
No período imediatamente pós-guerra, o envolvimento das empresas japonesas nas economias estrangeiras foi centrado na exportação de bens. A partir da década de 80, o investimento empresarial direto no exterior começou a crescer motivado por fatores como: a transição para a produção no exterior em virtude de atritos comerciais, como aconteceu com os mercados automobilísticos da Europa e América do Norte; a transição para a produção no exterior em virtude da valorização do iene, como aconteceu com fabricantes de produtos eletroeletrônicos, em particular, que transferiram suas atividades para o Sudeste da Ásia e para a China em busca de uma força de trabalho de alta qualidade e baixo custo; e a transição de indústrias de produção para países como a China, objetivando desenvolver mercados com potencial de um aumento expressivo na demanda. Na década de 80, uma grande parte do investimento estrangeiro direto do Japão foi para a América do Norte e Europa. Nos anos 90, a parcela de investimentos na Ásia passou a crescer. De acordo com as tendências da balança de pagamentos internacionais do Ministério da Fazenda e do Banco do Japão, o investimento externo registrou 13,23 trilhões de ienes em 2008, crescendo 52% em relação ao ano fiscal anterior, registrando o maior índice da história. Medidas voltadas para estimular o investimento em transporte, maquinário, ferramentas e outras áreas da indústria manufatureira foram as principais razões desse resultado.

Embora as empresas japonesas tenham se tornado empreendimentos multinacionais de forma mais lenta, se comparadas com o setor empresarial norte-americano, esse processo de globalização continua em curso.
Balança de Pagamentos
A componente mais frequentemente utilizada no desempenho da balança de pagamentos é a balança comercial, que é definida pela diferença entre as exportações e importações de um país. Desde a metade dos anos 60, o Japão tem tido um superávit consistente, que passou a se expandir rapidamente na década de 80. Esse superávit alcançou uma nova alta de 12,39 trilhões de ienes em 1994, antes do aumento nas atividades de importação e de outros fatores que causaram uma redução para 6,74 trilhões de ienes em 1996. Logo em seguida, a estagnação da economia japonesa resultou em uma redução repentina das importações e, associado à força do dólar americano, isso levou a um novo aumento do superávit em 1998 para 15,99 trilhões de ienes. Desde então, o superávit tem variado, tendo registrado 12,26 trilhões de ienes em 2003.

Em 1996, o Japão revisou o método utilizado para calcular sua balança de pagamentos internacionais, e começou a registrar estatísticas oficiais apenas em ienes ao invés de registrá-las tanto em ienes como em dólares americanos. A mudança resultou na combinação do comércio de bens e de serviços comerciais na categoria de bens e serviços da balança, e na eliminação das diferenças entre as categorias da balança de contas de capitais de longo e de curto prazo.

Dentro dessa balança de transações correntes, o Japão teve um déficit crônico em sua balança de transferências correntes e em sua balança de comércio de serviços. Alguns fatores que contribuíram com o déficit no comércio de serviços são as balanças negativas do Japão em relação a suas taxas de exportação, taxas de licenciamento, e turismo (cerca de 15,5 milhões de turistas japoneses viajaram ao exterior em 2009). Em 2003, o déficit do comércio de serviços do Japão caiu consideravelmente, parcialmente como resultado da queda do turismo internacional causado pela SARS e parcialmente devido a um aumento na renda oriunda de royalties de patentes registradas pelos fabricantes de automóveis e de outras empresas japonesas no exterior. A balança de contas correntes também foi afetada pela crise econômica global que eclodiu na segunda metade de 2008.


A Economia do Japão numa Era de Globalização

Bolsa de Valores de TóquioBolsa de Valores de Tóquio
A Bolsa de Valores de Tóquio é a mais antiga do Japão, tendo sido estabelecida em 1878
(Foto: Cortesia de Getty Images)

A Era de Alto Crescimento
A economia pós-guerra do Japão desenvolveu-se a partir dos resquícios de uma infraestrutura industrial que sofreu destruição generalizada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1952, ao final da ocupação dos aliados, o Japão era um “país menos desenvolvido”, com um consumo per capita de cerca de um quinto do consumo dos Estados Unidos. Ao longo de duas décadas, o Japão alcançou um crescimento anual médio de 8%, possibilitando que o país se tornasse o primeiro a passar do status de “menos desenvolvido” para “desenvolvido” na era pós-guerra. As razões para isso ter acontecido incluem altas taxas tanto de poupança individual como de investimentos em iniciativas do setor privado, uma força de trabalho com grande ética laboral, o amplo fornecimento de petróleo a baixo custo, tecnologias de inovação, e uma intervenção governamental efetiva nas indústrias do setor privado. O Japão foi o principal beneficiário do rápido crescimento atrelado à economia do mundo pós-guerra segundo os princípios de livre comércio promovidos pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Acordo Geral de Tarifas e Comércio. Em 1968, a economia japonesa já havia se tornado a segunda maior do mundo, depois da economia dos Estados Unidos.

Entre 1950 e 1970, a porcentagem de japoneses que viviam nas cidades passou de 38% para 72%, aumentando expressivamente a força de trabalho industrial. O potencial competitivo da indústria japonesa cresceu de forma robusta, com um aumento médio de 18,4% ao ano nas exportações durante os anos 60. Depois da segunda metade da década de 60, o Japão alcançou anualmente um superávit na balança de transações correntes, com exceção de alguns poucos anos depois da crise do petróleo de 1973. Nessa fase, o crescimento econômico teve o apoio de fortes investimentos em iniciativas do setor privado, os quais eram baseados na alta taxa de poupança individual. Ao mesmo tempo, ocorreram mudanças significativas na estrutura industrial do Japão, com uma mudança de foco nas principais atividades econômicas, passando da agricultura e indústria de pequeno porte para a indústria de grande porte. As indústrias de ferro e aço, construção de navios, maquinário, veículos motorizados e dispositivos eletrônicos passaram a dominar o setor industrial.

Em dezembro de 1960, o Primeiro-Ministro Ikeda Hayato anunciou um plano para dobrar a renda, estabelecendo a meta de 7,8% de crescimento anual durante a década de 1960-1970. O planejamento econômico do governo direcionado para a expansão da indústria de base se provou extremamente bem sucedido e, em 1968, a renda nacional havia dobrado, alcançando um crescimento anual médio de 10%.

Fábrica de Automóveis
Fábrica de automóveis
Funcionários trabalham manualmente adicionando componentes solicitados em uma linha de montagem
(Foto: Cortesia de Toyota Motor Corporation)

Uma Economia Madura
O Plano Social e Econômico Básico do Primeiro-Ministro Tanaka Kakuei (fevereiro de 1973) projetou a continuidade das altas taxas de crescimento para o período 1973-1977. Contudo, em 1973, a política macroeconômica doméstica resultou em um rápido crescimento do abastecimento de capital, o que levou a uma ampla especulação por parte dos mercados imobiliário e de commodities domésticas. O Japão já sofria de uma inflação de dois dígitos quando, em outubro de 1973, a eclosão da guerra no Oriente Médio levou a uma crise do petróleo. Os custos da energia subiram acentuadamente e o iene, que não refletia sua real força, passou para o câmbio flutuante. A consequente recessão diminuiu as expectativas para o crescimento futuro, resultando na redução do investimento privado. O crescimento econômico diminuiu do nível de 10% para uma média de 3,6% no período de 1974-1979, e 4,4% durante a década de 1980.

Uma segunda crise do petróleo em 1979 contribuiu para uma mudança de base na estrutura industrial do Japão, passando de um foco em indústrias de grande porte para o desenvolvimento de novas áreas, tais como a indústria de semicondutores VLSI. Ao final dos anos 70, as indústrias de informática, semicondutores e outras indústrias intensivas nas áreas de tecnologia e informação entraram em uma fase de rápido crescimento.

Assim como na era de alto crescimento, as exportações continuaram desempenhando um importante papel no crescimento econômico do Japão nos anos 1970 e 80. Contudo, o atrito comercial que acompanhou o crescente superávit na balança de pagamentos do Japão levou a clamores cada vez mais fortes para que o Japão promovesse uma maior abertura dos mercados domésticos e focasse mais na demanda interna como motor de crescimento econômico.
A Bolha Econômica
Depois do Acordo de Plaza de 1985, o valor do iene subiu acentuadamente, alcançando 120 ienes para cada dólar norte-americano em 1988 – três vezes o valor de 1971 segundo o sistema de câmbio fixo. O consequente aumento do preço de produtos de exportação japoneses reduziu sua competitividade nos mercados internacionais, mas medidas financeiras do governo contribuíram para o crescimento da demanda interna.

O investimento empresarial cresceu intensamente em 1988 e 1989. Com preços mais altos das ações, o valor das emissões de títulos de propriedade cresceram acentuadamente, marcando-os como uma importante fonte de financiamento para as empresas, enquanto os bancos buscavam uma saída para os fundos de desenvolvimento imobiliário. Por sua vez, as empresas usaram seus títulos imobiliários como garantia subsidiária para a especulação do mercado de ações, o que fez com que, durante esse período, o valor dos preços de terra dobrassem e o índice da bolsa de valores de Tóquio Nikkei aumentasse 180%.

Em maio de 1989, o governo apertou suas políticas monetárias para suprimir o aumento no valor de bens como as propriedades de terra. Contudo, taxas de juros mais altas levaram os preços das ações a uma redução espiral. Ao final de 1990, a bolsa de valores de Tóquio tinha caído 38%, representando perdas equivalentes a 300 trilhões de ienes (US$2,07 trilhões), e os preços de terra caíram acentuadamente desde o ápice especulativo. Esse mergulho na recessão é conhecido como “rompimento” da “bolha econômica”.

Cruzamento no Centro de Tóquio
Um dos principais cruzamentos do centro de Marunouchi (Tóquio)
Trabalhadores de escritórios enchem as ruas de Marunouchi, um dos maiores centros empresariais de Tóquio

A Economia desde 1995
A recessão pós-bolha continuou até a segunda metade da década de 1990 e adentrou o novo milênio. Algumas melhoras temporárias na perspectiva econômica foram observadas em 1995 e 1996, parcialmente devido à queda do valor do iene e à demanda adicional gerada pelos esforços de recuperação do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji, em janeiro de 1995. Em 1997, porém, diversos fatores pioraram a recessão rapidamente, como o aumento na taxa de consumo, a redução dos investimentos do governo e a falência de grandes instituições financeiras. Sentindo o peso de um alto volume de dívidas podres, agravado pelos preços de terra que continuavam em queda, as instituições financeiras apertaram suas políticas de crédito, forçando as empresas a reduzir seus investimentos em equipamentos e usinas. Somado à queda nas exportações causada pela crise econômica da Ásia, praticamente todas as indústrias tiveram redução de lucro. Os salários e a renda dos empregados também caíram, puxando os gastos com consumo para níveis ainda mais baixos e, em 1998, a economia japonesa registrou um crescimento negativo.

Em 1998, o governo estabeleceu uma estrutura de financiamento de 60 trilhões de ienes para fornecer os recursos públicos necessários para promover a recuperação econômica, além de alocar um adicional de 40 trilhões de ienes para medidas de emergência para compensar a redução do crédito pelas instituições financeiras. O orçamento nacional para o ano fiscal de 1999 incluiu um grande aumento nos gastos com projetos públicos e ações foram tomadas para reduzir as taxas, tais como o aumento nos créditos fiscais para novas aquisições residenciais. A partir de fevereiro de 1999, o Banco do Japão instituiu uma política de juros de curto prazo com taxas de 0% para facilitar o abastecimento monetário e, em março, o governo injetou 7,5 trilhões de ienes em recursos públicos nos 15 principais bancos.

Como resultados dessas medidas e do aumento da procura por produtos japoneses na Ásia, no final de 1999 e em 2000, sinais de recuperação foram observados, tais como aumentos nos preços das ações e crescimento de receita em alguns setores. Em 2001, contudo, a economia voltou à recessão devido a problemas internos – uma demanda interna sem muito dinamismo, deflação, a continuidade do fardo de dívidas podres carregado por bancos japoneses – além de fatores internacionais que incluíram uma redução nas exportações japonesas causada pela deterioração da economia norte-americana. A taxa de desemprego, que era de apenas 2,1% em 1990, subiu para 4.0% em 2008.

A economia chegou ao pior nível possível no início de 2002, entrando em um período de recuperação lenta, porém sólida, que continuou até a metade da década. Depois de persistirem por mais de 10 anos, as consequências negativas do colapso da bolha econômica parecem ter sido, em grande parte, finalmente superadas. O índice de empréstimos em moratória ou sob risco de moratória dos principais bancos caiu de 8% em 2002 para abaixo de 2% em 2006, e isso contribuiu para uma recuperação da capacidade de crédito bancário conforme os bancos puderam mais uma vez funcionar de maneira plena como intermediários financeiros.

Há uma crescente preocupação quanto as consequências que o envelhecimento da sociedade japonesa terá para a economia. Em 2009, aproximadamente 22% da população tinha 65 anos ou mais, e projeta-se que esse índice seja de cerca de 41% até 2055. Para minimizar os efeitos da contração da população economicamente ativa, será necessário aumentar a produtividade de trabalho e promover o emprego de mulheres e pessoas com mais de 65 anos. Além disso, reformas fundamentais serão necessárias no sistema previdenciário e em outros sistemas de bem-estar social para evitar grandes desigualdades entre as gerações com relação aos fardos suportados e benefícios recebidos.
Bairro de Akihabara
Rua comercial em Akihabara (Tóquio)
Lojas especializadas em computadores, DVDs e outros dispositivos eletrônicos estão concentrados neste local
(Foto: Cortesia de Akihabara Shopping District Promotion Cooperative)

A Crescente Conexão com a Ásia
A parcela de bens manufaturados na porcentagem total de importações japonesas cresceu expressivamente desde a metade dos anos 1980, excedendo 50% em 1990 e alcançando 60% no final dos anos 1990, gerando preocupações sobre o esvaziamento da indústria japonesa. O crescente atrito comercial na segunda metade da década de 1980 e o crescimento elevado do valor do iene forçaram muitas empresas de importantes setores de exportação, especialmente os setores de automóveis e eletrônicos, a transferirem sua produção para o exterior. Fabricantes de produtos eletrônicos como TVs, videocassetes e refrigeradores abriram fábricas de montagem na China, Tailândia, Malásia e outros países da Ásia com alta qualidade e baixo custo de trabalho. Para tais produtos, a fatia de mercado representada pelos bens importados passou a exceder a de produtos do mercado interno.

Nos últimos anos, o rápido aumento nos importados manufaturados da China tem causado preocupação especial. Entre 2001 e 2005, os importados chineses para o Japão cresceram 170%. Durante o mesmo período, as exportações para a China cresceram em ritmo ainda mais rápido, alcançando 235%.

Além disso, a parcela ocupada pela China no comércio internacional com o Japão cresceu para 18,9% em 2009, ultrapassando os 16,1% dos Estados Unidos, e tornando a China o maior parceiro comercial do Japão. As exportações japonesas relacionadas a automóveis e eletrônicos domésticos digitais são fortes, com o total das exportações para a China superando o nível de 100 bilhões de dólares desde 2007. Desde 1988, o Japão tem registrado um contínuo déficit comercial com a China. Apesar disso, se considerada a grande parcela de exportações japonesas para Hong Kong, que acaba sendo contabilizada para a China, verifica-se que o Japão apresenta, na verdade, um superávit em sua balança comercial.

O aumento simultâneo no volume tanto da exportação como da importação de produtos de/para a China e o restante da Ásia é, em parte, resultado de uma divisão internacional da força de trabalho que ocorreu como parte da globalização industrial. As empresas japonesas exportam bens de capital (maquinário) e bens intermediários (componentes, etc.) para unidades de produção construídas com seu investimento direto na China para que, então, o produto final seja importado de volta para o Japão. Atualmente, ainda existe uma divisão vertical da força de trabalho, com o Japão sendo especializado em módulos e processos de alta tecnologia e conhecimento técnico, e a China sendo especializada em módulos e processos focados na força de trabalho. Conforme a China e outros países em desenvolvimento continuam a melhorar suas capacidades técnicas, contudo, o desafio para a indústria de manufaturados do Japão será o de manter uma vantagem comparativa nos setores de alta tecnologia e conhecimento técnico.

Bandeira e Hino Nacional

Símbolos Modernos com Raízes Históricas

A bandeira nacional do Japão é o Hinomaru, e seu hino nacional é o 'Kimigayo'
A Bandeira Nacional
O Círculo Vermelho Simboliza o Sol
A bandeira nacional do Japão é chamada Hinomaru, uma palavra japonesa que, literalmente, significa “círculo do sol”. Não se sabe ao certo quando o círculo do sol foi usado pela primeira vez em bandeiras e painéis. Contudo, no século XII, surgiram os guerreiros samurai (bushi) e, durante a luta pelo poder entre os clãs Minamoto e Taira, os bushi costumavam desenhar círculos do sol em leques dobráveis conhecidos como gunsen. No Período dos Reinos Combatentes dos séculos XV e XVI, quando muitas figuras militares disputavam círculos de influência, os hinomaru eram amplamente exibidos como uma insígnia militar. Uma pintura em tela representando a Batalha de Sekigahara no ano de 1600 mostra uma força militar que usava o hinomaru como tema em todos os seus painéis. Embora o círculo vermelho com um fundo branco fosse o mais comum, também há exemplos de círculos dourados com um fundo azul profundo.

Bandeira Nacional
Hinomaru
A proporção vertical-horizontal da bandeira é 2:3, o círculo está posicionado exatamente no centro, e o diâmetro do círculo equivale a três quintos da medida vertical


Bandeiras com o Círculo nos Barcos que Levavam os Shoguns
O uso do hinomaru como símbolo do país como um todo remonta a seu uso, por Toyotomi Hideyoshi no final do século XVI e por Tokugawa Ieyasu no início do século XVII, nas bandeiras dos navios mercantes enviados ao exterior. Uma pintura em tela com cenas da cidade de Edo (Tóquio dos dias de hoje) no século XVI mostra uma bandeira hinomaru sendo usada como símbolo de um navio que carregava o shogun. Durante o Período Sakoku, ou “período de isolamento nacional” (1639-1854), o comércio e outras relações com quaisquer países estrangeiros eram proibidos com exceção da China, Coréia e Holanda; mas quando o shogunato Tokugawa começou a comercializar com outros países (incluindo Estados Unidos e Rússia), depois de 1854, os navios mercantes japoneses mais uma vez começaram a usar a bandeira hinomaru.

O shogunato Tokugawa, em 1854, aceitou a proposta de Shimazu Nariakira do Domínio de Satsuma, e foi decidido que os navios japoneses, para não serem confundidos com navios estrangeiros, utilizariam um “painel hinomaru com um fundo branco”. Uma bandeira hinomaru foi exibida no Kanrinmaru, o navio que levava oficiais japoneses enviados aos Estados Unidos em 1860.
O Hinomaru como Bandeira do Japão Moderno

Em 1868, o governo Meiji estabeleceu-se depois que a família Tokugawa perdeu seu poder político. De acordo com o Decreto No. 57 emitido pelo Grande Conselho de Estado (Dajokan) em 27 de janeiro de 1870, o Hinomaru tornou-se oficialmente a bandeira do Japão para utilização em embarcações comerciais.
O Hinomaru foi utilizado pela primeira vez nos terrenos de prédios governamentais em 1872, um ano antes do calendário lunar ser substituído oficialmente pelo solar. Naquela época, muitas famílias comuns e estabelecimentos não-governamentais também manifestaram seu desejo de exibir o Hinomaru nas datas comemorativas. Nos anos subsequentes, diversas notificações e documentos foram emitidos oficialmente reforçando o status do Hinomaru como a bandeira que simbolizava o Japão.
O Hino Nacional
A Letra do 'Kimigayo'
A letra do hino nacional japonês, o 'Kimigayo', foi retirada de um poema antigo. Em japonês, a letra é a seguinte:
Kimigayo wa
Chiyo ni yachiyo ni
Sazare-ishi no
Iwao to narite
Koke no musu made


Hino Nacional
O governo apresentou sua interpretação do significado do hino 'Kimigayo' na Assembleia Legislativa do Japão (Diet) durante a deliberação sobre um projeto de lei para regulamentar a bandeira e o hino nacional. Na sessão plenária do Congresso, realizada em 29 de junho de 1999, o Primeiro-Ministro Obuchi Keizo explicou o seguinte: “O 'Kimi', em 'Kimigayo', segundo a atual Constituição do Japão, indica o Imperador, que é o símbolo do Estado e da unidade do povo, sendo o seu título um reflexo da vontade do povo, que detém o poder soberano. 'Kimigayo' como um todo representa o estado de espírito de nosso país, que tem o Imperador como o símbolo nacional e da unidade do povo. Por isso, é adequado interpretar a letra do hino como uma oração pela prosperidade e paz duradoura de nosso país”.
Não se sabe quem foi o primeiro a escrever a letra do hino. Contudo, a letra é encontrada em um poema que faz parte de duas antologias de waka japonês de 31 sílabas, especificamente, Kokin Wakashu do século X, e Wakan roeishu do século XI. Nas duas publicações o nome do autor do poema é dado como desconhecido.

Desde muito antigamente, o poema era recitado em celebrações de ocasiões felizes ou jantares de comemoração. A letra frequentemente era colocada em canções com melodias típicas de estilos vocais como o yokyoku (partes cantadas de apresentações de Noh), kouta (canções populares acompanhadas de shamisen), joruri (narrativa dramática cantada com acompanhamento de shamisen), saireika (canções festivas), e biwauta (músicas com acompanhamento de biwa). A letra também era usada em contos de fadas e outras histórias, aparecendo inclusive na literatura popular de ficção durante o período Edo como ukiyo-zoshi e em coletâneas humorísticas de kyoka (verso louco).
A Música do 'Kimigayo'
Quando começou o Período Meiji, em 1868, e o Japão passou a ser uma nação moderna, ainda não havia nada conhecido como “hino nacional”.

Em 1869, o maestro de bandas militares britânicas John William Fenton, que na ocasião estava trabalhando em Yokohama, soube que o Japão não tinha um hino nacional e contou aos membros da banda militar japonesa sobre o hino nacional britânico 'God Save the King'. Fenton enfatizou a necessidade de um hino nacional e propôs que ele composse a música se alguém providenciasse a letra.

Os membros da banda, depois de consultar seu diretor, pediram ao Capitão de Artilharia Oyama Iwao (1842-1916) do atual Distrito de Kagoshima, que tinha um amplo conhecimento de história e literatura chinesa e japonesa, para selecionar a letra adequada para o hino. (Oyama posteriormente tornou-se Ministro do Exército e marechal de campo).

Fent juntou sua melodia com a letra do 'Kimigayo' selecionada por Oyama de um biwauta chamado Horaisan, resultando no primeiro hino 'Kimigayo'. A melodia, porém, era completamente diferente da que é conhecida hoje. Ela foi tocada com o acompanhamento de metais durante a parada militar em 1870, mas depois considerou-se que a melodia não tinha a formalidade adequada e ficou acordado que seria necessário revisá-la.

Em 1876, Nakamura Suketsune, o diretor da Banda Naval, submeteu ao Ministério da Marinha uma proposta para mudar a música e, com base em sua proposta, ficou decidido que a nova melodia devia refletir o estilo usado nos cantos musicais realizados na corte imperial. Em julho de 1880, quatro pessoas foram designadas para um comitê responsável por revisar a música. Elas eram o diretor da Banda da Marinha Nakamura Suketsune; o diretor da Banda do Exército Yotsumoto Yoshitoyo; o diretor de apresentações de gagaku (música da corte japonesa) Hayashi Hiromori; e um maestro alemão contratado pela marinha, Franz Eckert.

Por fim, uma melodia composta por Hayashi Hiromori foi selecionada com base na escala tradicional usada no gagaku. Eckert fez um arranjo vocal de quatro partes, e o novo hino nacional foi executado pela primeira vez no palácio imperial no aniversário do Imperador Meiji, em 3 de novembro de 1880. Esse foi o início do hino nacional 'Kimigayo' que conhecemos hoje.

O Hinomaru e o 'Kimigayo' no Japão Contemporâneo
Atualmente, o Hinomaru e o 'Kimigayo' são exibidos e executados durante cerimônias de feriados nacionais, em outras cerimônias comemorativas públicas e em cerimônias de boas-vindas de visitantes oficiais estrangeiros.

Além disso, muitos cidadãos japoneses exibem o Hinomaru na parte de fora de suas portas de entrada durante os feriados nacionais. A música do 'Kimigayo' também é executada em eventos não-oficiais como eventos esportivos internacionais onde equipes japonesas estão representadas. Em torneios de sumô, que para muitos é considerado o esporte nacional do Japão, o hino nacional normalmente é executado antes da cerimônia de premiação.

O reconhecimento do amplo uso do Hinomaru e do 'Kimigayo' estabeleceu-se como direito consuetudinário e o governo considerou apropriado fundamentar bases claras desse reconhecimento na lei escrita a partir da virada do século XXI. Um projeto de lei para regulamentar o Hinomaru e o 'Kimigayo' como a bandeira e o hino nacional oficiais foi submetido à Assembleia Legislativa do Japão (Diet) em junho de 1999. A Lei sobre a Bandeira e o Hino Nacional foi promulgada pela Diet em 9 de agosto de 1999.

Feriados Nacionais Japoneses

Ano Novo (Ganjitsu) 1 de janeiro
Comemora o início do novo ano.
Dia da Maioridade (Seijin no Hi) 2ª Segunda-feira de janeiro
Feriado que celebra os jovens que fizeram 20 anos de idade.
Dia da Fundação Nacional (Kenkoku Kinen no Hi) 11 de fevereiro
Este feriado comemora o início do reino do lendário imperador Jimmu, o primeiro imperador do Japão.
Dia do Equinócio de Primavera (Shunbun no Hi) por volta de 21 de março
Dia dedicado a reuniões de família e visita a túmulos de familiares.
Dia de Showa (Showa no Hi) 29 de abril
Esta é uma data que representa os dias turbulentos e a subsequente recuperação do Período Showa (1926-89), quando dedica-se a pensar sobre o futuro do Japão. É o aniversário do antigo Imperador Showa.
Dia da Constituição (Kenpo Kinenbi) 3 de maio
Este feriado comemora a entrada em vigor da Constituição do Japão em 1947.
Dia do Verde (Midori no Hi) 4 de maio
Esta é uma data para celebrar a natureza, agradecer por suas bênçãos e cultivar a riqueza de espírito.
Dia das Crianças (Kodomo no Hi) 5 de maio
Esta é a data para desejar saúde e felicidade às crianças.
Dia dos Esportes (Taiiku no Hi) 2ª segunda-feira de outubro
Estabelecido em 1966 para comemorar a abertura das Olimpíadas de Tóquio de 1964, essa é uma data para promover a saúde e a boa forma física.
Dia da Cultura (Bunka no Hi) 3 de novembro
Esse é o dia em que os ideais de paz e liberdade expressados na Constituição do Japão (promulgada em 3 de novembro de 1946) são promovidos por meio de atividades culturais.

Dia de Agradecimento ao Trabalho (Kinro Kansha no Hi) 23 de novembro
Este é o dia para agradecer pelo trabalho e celebrar a boa colheita.
Aniversário do Imperador (Tenno Tanjobi) 23 de dezembro
Neste dia, em 1933, nasceu o Imperador Akihito.

A Constituição do Japão

Nós, o povo japonês, por meio de nossos representantes devidamente eleitos em nossa Dieta Nacional, determinamos que vamos assegurar para nós e nossa posteridade os frutos da cooperação pacífica com todas as nações e as bênçãos da liberdade nesta terra, e decidimos que nunca mais seremos acometidos com os horrores da guerra por medidas do governo, e proclamamos que o poder soberano pertence ao povo que firmemente estabelece esta constituição. O governo é de confiança sagrada do povo e possui os poderes que são exercidos por seus representantes e com os benefícios que são gozados pelo povo. Este é um princípio universal da raça humana sobre o qual esta constituição é fundada. Nós rejeitamos e revogamos todas as constituições, leis, ordenanças e editos que entrem em conflito com esta verdade.

Nós, o povo japonês, desejamos a paz em todo o tempo e estamos profundamente conscientes dos altos ideais que norteiam o relacionamento humano, e todos nós temos determinado preservar nossa segurança e existência, confiando na justiça e fé das pessoas de boa vontade do mundo. Nós desejamos ocupar um lugar de honra dentro da comunidade internacional nos esforçando na preservação da paz e no banimento da tirania e escravidão, opressão e intolerância, em todo o tempo e em todo o mundo. Nós reconhecemos que todas as pessoas do mundo têm o direito a viver em paz, livres do medo e da miséria.

Nós acreditamos que nenhuma nação é responsável apenas por si, mas que as leis de moralidade política são universais; e que a obediência a essas leis é uma incumbência de todas as nações que devem sustentar a sua soberania e justificar o seu relacionamento soberano com outras nações.

Promlugação da Constituição